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MP investiga suspeita de violência sexual contra 8 crianças em abrigo de menores em Anhembi

  • Foto do escritor: O Cubo Notícias
    O Cubo Notícias
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

 

A investigação aberta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) sobre supostos casos de violência sexual envolvendo crianças acolhidas na Casa Transitória de Anhembi trouxe à tona um problema ainda mais amplo: a aparente falha dos responsáveis pela administração da unidade em identificar e impedir situações de risco dentro do próprio abrigo.

 

O caso veio à luz após uma criança relatar diretamente a um juiz da comarca de Conchas, durante uma visita institucional, que teria sido vítima de abuso dentro da entidade. O que mais chama a atenção é que o relato não partiu de um processo regular de monitoramento interno, mas de uma conversa informal, revelando a fragilidade dos mecanismos de escuta, proteção e prevenção que deveriam ser rotina em um local destinado justamente à segurança de menores em situação de vulnerabilidade.

 

De acordo com informações confirmadas pelas autoridades, pelo menos oito crianças, com idades entre 4 e 11 anos, foram encaminhadas para exames médicos no Hospital das Clínicas de Botucatu. As apurações indicam que os abusos teriam sido praticados por um interno mais velho da própria instituição, o que levanta questionamentos diretos sobre a supervisão, a separação adequada por faixa etária e o controle de convivência dentro do abrigo.

 

Especialistas em políticas públicas de proteção à infância destacam que casos como este evidenciam falhas estruturais na gestão de serviços de acolhimento, que deveriam operar com protocolos rígidos de vigilância, acompanhamento psicológico e avaliação constante do comportamento dos acolhidos.

 

Embora o processo tramite em segredo de justiça, o episódio expõe um cenário de negligência administrativa, em que sinais de alerta não foram percebidos — ou foram ignorados — pelos responsáveis. A atuação do Conselho Tutelar, da Polícia Civil e do Ministério Público ocorreu somente após a denúncia chegar ao Judiciário, o que reforça a percepção de que a intervenção foi tardia.

 

A Casa Transitória informou que aguarda laudos periciais para adotar providências, mas a pergunta que permanece é como uma situação dessa gravidade pôde se desenvolver sem ser detectada previamente. Para familiares, entidades de defesa da infância e a própria sociedade, o caso representa não apenas uma investigação criminal, mas um alerta sobre a necessidade urgente de revisão na forma como esses abrigos são administrados e fiscalizados.

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