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 Polícia Federal investiga supostas fraudes no Banco Digimais em operação que cita Edir Macedo

  • Foto do escritor: O Cubo Notícias
    O Cubo Notícias
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

 

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo a administração do Banco Digimais e possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

 

Mais de 50 agentes federais participaram da ação, que cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 10 empresas e oito pessoas físicas, por determinação da Justiça Federal de São Paulo. Entre os investigados está o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e controlador do banco.

 

Segundo a PF, Macedo é investigado por sua ligação com a instituição financeira, mas não foi alvo de buscas porque atualmente mora no exterior.

 

As investigações apontam que o banco teria apresentado informações contábeis manipuladas, com suposta valorização irregular de ativos e criação artificial de receitas para esconder a real situação financeira da instituição.

 

A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a cerca de R$ 670 milhões.

 

De acordo com a Polícia Federal, a apuração teve como base documentos e relatórios do Banco Central, que indicaram possíveis falhas graves na condução dos negócios do banco.

 

Os envolvidos poderão responder, conforme o grau de participação, por crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, inserção de informações falsas em documentos contábeis e operações de crédito proibidas, previstos na Lei dos Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

 

A investigação aponta que as supostas irregularidades teriam ocorrido de forma contínua, com alterações em balanços e resultados para transmitir uma imagem de estabilidade financeira aos órgãos de fiscalização.

 

A PF também apura operações que poderiam ter favorecido empresas ligadas ao controle do banco e possíveis alterações de informações registradas em sistemas oficiais de acompanhamento financeiro.

 

História do banco

 

O Banco Digimais começou sua trajetória em 1981, em Porto Alegre (RS), com o nome de Banco Renner. A instituição iniciou as atividades como financeira e posteriormente ampliou sua atuação para financiamentos, principalmente de veículos.

 

Em 1991, passou a funcionar como banco múltiplo e, anos depois, iniciou uma transformação para o modelo digital. Em 2020, adotou o nome Digimais e passou a atuar como banco digital.

 

Edir Macedo entrou na instituição como acionista minoritário em 2009 e, posteriormente, assumiu o controle total do banco.

 

Atualmente, o Digimais trabalha principalmente com operações de crédito, financiamento de veículos e produtos financeiros como CDBs e fundos de investimento.

 

Nos últimos anos, o banco passou por mudanças na administração. Uma tentativa de venda para o empresário Maurício Quadrado, do grupo BlueBank, não foi concluída em 2025. No fim daquele ano, Aldemir Bendine assumiu o cargo de presidente executivo da instituição.

 

Em 2026, o BTG Pactual anunciou um acordo para comprar o controle do banco, mas a operação ainda depende de etapas como aprovação dos órgãos reguladores e conclusão do processo de negociação.

 

Paralelamente, o Digimais enfrenta questionamentos sobre sua situação financeira. A agência de classificação de risco Fitch reduziu a avaliação de crédito da instituição para “CCC(bra)”, indicando um cenário de maior risco e dificuldades financeiras.

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